Ancelotti deixará Neymar Bailar na Copa
A simples possibilidade de ver Neymar novamente no centro do palco da Seleção Brasileira já é suficiente para mexer com a imaginação do torcedor. Mas, desta vez, o cenário parece diferente. Com Carlo Ancelotti cada vez mais próximo do Comando do Brasil, cresce também a sensação de que o treinador italiano poderá devolver ao camisa 10 a liberdade que tantas vezes faltou nos últimos anos.
Durante muito tempo, Neymar carregou um peso enorme. Não era apenas o jogador principal da equipe. Era também o responsável por criar, decidir, organizar e, muitas vezes, resolver sozinho. Em algumas partidas, parecia mais preocupado em preencher espaços e cumprir funções competitivas do que em fazer aquilo que o tornou um dos jogadores mais talentosos da sua geração: improvisar, desequilibrar e “bailar” em campo.
É exatamente aí que Ancelotti pode mudar tudo.
O treinador italiano construiu sua carreira com uma característica rara: adaptar o sistema aos craques, e não o contrário. Foi assim com Kaká, com Cristiano Ronaldo, com Benzema, com Vinícius Júnior e com tantos outros. Em vez de prender seus melhores jogadores a uma estrutura, Ancelotti costuma criar um ambiente onde eles possam jogar leves, confiantes e perto da sua melhor versão.
Se assumir a Seleção, a tendência é que faça o mesmo com Neymar.
Mais do que colocá-lo como um médio recuado ou obrigá-lo a voltar constantemente para buscar a bola, Ancelotti provavelmente tentará deixá-lo mais próximo da área, livre para flutuar, combinar e decidir. Um Neymar sem tantas obrigações defensivas e com jogadores rápidos à sua volta pode voltar a ser devastador.
Imagine uma linha de ataque com Vinícius Júnior aberta pela esquerda, Rodrygo se movimentando entre linhas e Neymar solto, sem posição fixa. Em vez de ser marcado por dois ou três adversários ainda no meio-campo, o camisa 10 teria mais espaço para receber perto da área, onde o seu talento faz mais diferença.
Ancelotti também sabe algo que muitos treinadores ignoram: Neymar rende melhor quando sente confiança. Quando percebe que o treinador acredita nele, que lhe dá liberdade e o protege da pressão excessiva, seu futebol cresce naturalmente. Foi assim em vários momentos da carreira, especialmente quando encontrei técnicos que lhe davam espaço para ser criativo.
Claro que existe um outro lado da história. Neymar chegará à Copa depois de anos marcados por lesões, dúvidas específicas e períodos de instabilidade. O talento continua lá, mas a grande questão será saber em que condição ele chegará ao torneio. Se estiver saudável e com ritmo, poucos jogadores no mundo conseguem mudar uma partida como ele.
Para Ancelotti, o desafio não será transformar Neymar em outro jogador. Pelo contrário: fará-lo voltar a ser ele mesmo.
Talvez seja justamente isso que o Brasil precisa. Não de um Neymar preso, preocupado ou sobrecarregado. Mas de um Neymar leve, sorridente, confiante e livre para jogar. Aquele Neymar que dribla, inventa, arrisca e faz o estádio inteiro levantar-se da cadeira.
Se Carlo Ancelotti realmente assumir a Seleção e conseguir criar esse ambiente, a Copa do Mundo pode voltar a ter um protagonista que muitos julgavam estar distantes do seu melhor.
E, nesse caso, talvez o maior acerto do treinador italiano não seja apenas escalar Neymar.
Será deixar-lo bailar.

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